quinta-feira, 14 de abril de 2011

NA LÍBIA REBELDES ALERTAM PARA MASSACRE EM MISRATA

Rebeldes líbios alertaram nesta quinta-feira para a ameaça de um " massacre" em Misrata pelas tropas leais ao líder líbio Muammar Gaddafi caso a Otan não intensifique seus ataques nesta cidade.

O alerta acontece depois de um pesado ataque de leais a Gaddafi numa área residencial perto do porto controlado pelos rebeldes. O ataque deixou oito mortos. Um porta-voz dos rebeldes disse que o número deve aumentar.

"Um massacre... vai acontecer aqui se a Otan não intervir fortemente", disse um porta-voz dos rebeldes, que se identificou como Abdelsalam, à Reuters por telefone em Misrata.

A França e o Reino Unido, que lideram a coalizão de ataques aéreos contra as forças de Gaddafi, estão cada vez mais frustrados com a falta de apoio entre outros membros da aliança militar.

Os rebeldes que defendem Misrata, seu último grande enclave no oeste da Líbia e que tem sido cena de pesados combates nas últimas semanas, estão preocupados com a ausência de uma estratégia militar clara para tirar Gaddafi do poder.

Fonte: Reuters

PARA DILMA BRICs NÃO SÃO UM GRUPO PAÍSES

A presidente Dilma Rousseff disse, durante o terceiro encontro de cúpula dos Brics, na China, que as cinco nações "não se organizam contra nenhum grupo de países" e defendeu que a "verdadeira prosperidade tem de ser compartilhada por todos".

"A agenda dos Brics não se define por oposição a nenhum outro grupo. Queremos agregar", disse. "Somos a favor de um mundo multipolar, sem hegemonias nem zonas de influência", acrescentou.

Durante o encontro, os países buscaram consenso em alguns temas de interesse comum e defenderam uma reforma no sistema monetário internacional "com reservas internacionais de ampla base", uma alusão às propostas de diversificar a actual dependência do dólar como moeda de referência.

O documento faz menção ao apoio dos países à atual discussão sobre a composição da cesta de moedas do FMI. Não houve, no entanto, menção à proposta especifica de incluir o yuan nesse sistema de reservas do fundo - o Direito Especial de Saque (SDR, na sigla em inglês).

O apoio à reforma do sistema monetário é dado no mesmo parágrafo em que os países dizem reconhecer que a crise internacional expôs as deficiências do sistema atual.

Os países se comprometem a fortalecer a parceria dos Brics pelo desenvolvimento de forma pragmática e reitera que essa cooperação é "inclusiva e não de confronto".

O comunicado dos cinco países pediu atenção também para os riscos do grande fluxo de capitais para as economias emergentes. Esse fluxos, em países como o Brasil, com câmbio livre, geram valorização da moeda local e consequências variadas, como a perda de competitividade de exportações.

Crédito em moeda local

Entre os planos de ação, previstos pelo comunicado conjunto, está uma maior cooperação entre os bancos de desenvolvimento de cada país para fomentar investimentos. Dessa cooperação, já surgiu uma proposta, acatada pelos cinco países, de desenvolver um mecanismo de concessão de crédito cruzado em moeda local.

Após a declaração dos líderes, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, disse que esse mecanismo de financiamento em moeda local teria como objetivo principal estimular e facilitar investimentos entre os países do grupo.

Os países delinearam também bases para uma cooperação maior na ONU destacando que, neste ano, todos os cinco membros do grupo fazem parte do Conselho de Segurança. No entanto, apenas Rússia e China são membros permanentes com poder de veto.

"Estamos todos os Brics no Conselho de Segurança das Nações Unidas, com o poder de desenvolver um trabalho conjunto e entendimento de que o uso da força não pode ser precipitado e a diplomacia e negociação devem ser privilegiadas", disse Rousseff ao lado do presidente Jacob Zuma, da África do Sul, do presidente Hu Jintao, da China, Dimitri Medvedev, presidente da Rússia, e Manmohan Singh, premiê da Índia.

Sobre a Líbia, tema sobre o qual todos os membros dos Brics se abstiveram, exceto da África do Sul, que votou a favor da resolução da ONU, os líderes demonstraram preocupação com as mortes de civis, resultantes dos bombardeios autorizados pela ONU, e reiteraram a importância da busca por soluções diplomáticas.

Reformas

O comunicado conjunto reiterou o apoio dos países do grupo a uma reforma nos organismos multilaterais, como a ONU, o Banco Mundial e o FMI, que aumente a participação dos países emergentes e em desenvolvimento.

O presidente russo falou da importância de se garantir a segurança alimentar e disse que o grupo tem visões compartilhadas sobre a necessidade de redução da volatilidade no preço das commodities.

Ainda não está claro se o Brasil assumiu algum compromisso concreto a esse respeito, já que é contra a imposição desse tipo de controle. O tema será discutido no encontro do G-20 na França na semana que vem.

A polêmica questão do yuan artificialmente desvalorizado, e o impacto disso em economias como a brasileira, não foram discutidos pelo grupo, mais interessado na busca de temas consensuais.

"Nós compartilhamos da visão de que o mundo esta passando por mudanças de longo alcance, complexas e profundas, marcadas pelo fortalecimento da multipolaridade, globalização e crescente interdepêndencia", diz o comunicado.

Os líderes se dizem profundamente preocupados com os acontecimentos no Oriente Médio, no Norte da África e na África Ocidental, e afirmam esperar que os países afetados alcancem a paz.

"Nós compartilhamos do princípio de que o uso da força deva ser evitado. Nós mantemos que a independência, soberania, unidade e integridade territorial de cada nação deva ser respeitada", disse o comunicado.

A sigla Bric foi cunhada pelo economista Jim O'Neill, do banco de investimentos Goldman Sachs, em 2001. Nesta cúpula, o bloco ganhou um ''S'' de ''South Africa'' (África do Sul) e, apesar de na ocasião ainda não ser um grupo institucionalizado, prometeu intensificar a cooperação nas mais diversas áreas.

Fonte: BBC Brasil

quarta-feira, 13 de abril de 2011

BEIJAR FAZ BEM À SAUDE E AO CORAÇÃO

Como já disse um poeta, “beijo não mata a fome mas abre o apetite”. O ato de beijar além de ser muito bom ainda faz bem à saúde. O beijo é tão importante para a cultura Ocidental que até ganhou uma data comemorativa: 13 de abril. Muitos beijos, neste dia!

O beijo ativa centros de prazer do hipotálamo e também aumenta a produção de beta-endorfinas, além de relaxar os músculos ainda promove a ativação do sistema vascular.

Depois do sexo, a prática sexual preferida dos brasileiros é o beijo na boca. Os homens valorizam mais o beijo do que as mulheres. O beijo ultrapassa a teoria de que quem beija bem tem 90% de chances de conquistar a pessoa beijada, beijar é uma excelente terapia, o beijo movimenta 39 músculos e elimina cerca 12 a 15 calorias por beijos de duração de um minuto.

A ciência já comprovou os benefícios do beijo, a psicologia também. Mas é preciso tomar cuidado para não fazer dele um ato mecânico que só serve para satisfazer um impulso sexual momentâneo. Beijar não só ativa os músculos e libera hormônios, mas afeta diretamente os sentimentos.

Alguns dos principais tipos de beijo:

- Erótico: este tipo de beijo pode ser dado em todas as áreas erógenas que o casal permitir. A pressão e o esfregar com os lábios fechados, com a boca aberta, movimentando a língua;

- Francês: um beijo muito conhecido, ou seja,o tradicional beijo de língua. Elas se procuram e se acariciam. Este é o beijo mais comum e o que as pessoas mais gostam.

- Água com açúcar: sob o ponto de vista do macho, o homem se apodera da mulher, de uma forma devoradora, e ela se rende passivamente

- Amizade: é um essencial terapêutico, podendo devolver esperança, fé, confiança e serenidade.

- Romântico: este beijo representa o sentimento de admiração de um pelo outro, como a relação de dádiva e oferenda.

- Tântrico: neste beijo, o leito é o templo do amor e permite uma maior integração física e conexão energética.

Fonte: Correio do Brasil

ODEBRECHT COMPRA FÁBRICA DE MÍSSEIS

O grupo Odebrecht, que recentemente comprou uma fabricante brasileira de mísseis para atuar na área deDefesa, ainda estuda novas oportunidades na área e tem meta de liderar o setor no Brasil. A empresa se destaca na área da construção civil, como uma das maiores empreiteiras do país, com obras em outros países latino-americanos. Em entrevista à agência inglesa de notícias Reuters, o presidente da Odebrecht Defesa e Tecnologia, Roberto Simões, afirmou que para qualquer eventual novo parceiro o grupo impõe como condição ter a gestão ou, no mínimo, ser co-gestor do negócio.

Defesa
Falando durante a LAAD, maior feira de defesa da América Latina, Simões ressalvou, porém, que são poucas as boas oportunidades de aquisições no setor no Brasil e não descartou investidas da empresa em companhias do exterior.

– A indústria nacional de defesa tem muito poucas oportunidades, são empresas geralmente pequenas e sem muitas alternativas”, avaliou. “Estamos abertos a analisar qualquer um, pode ser fora do Brasil também. A prioridade são empresas dentro do Brasil – comentou.

O executivo disse ainda que a nova companhia da Odebrecht pretende, além de vender produtos no Brasil, exportar aos países em que o grupo já atua, principalmente na América Latina e Ásia. O setor de defesa no Brasil tem sofrido um processo de consolidação, com aquisições pela Odebrecht Defesa e Tecnologia e pela Embraer Defesa e Segurança. Nesta quarta-feira, a italiana Avio anunciou a compra da brasileira Focaleng, especializada em manutenção de aeronaves militares.

Simões reconheceu que a concorrência com a unidade de defesa da gigante de aviação, que anunciou na terça-feira novas parcerias na área de sistemas e controle, um dos focos da Odebrecht, tem encarecido o mercado.

– Eu acho que já encareceu as primeiras. Esperamos que não encareçam nas próximas (aquisições) – disse.

O executivo disse que a meta da Odebrecht, que recentemente comprou a fabricante de mísseis Mectron, é se tornar a principal empresa do setor de defesa do Brasil. Ele, no entanto, não disse quando a companhia pretende atingir essa meta nem o montante de recursos que será investido para tanto. Além da aquisição da Mectron, a Odebrecht também é parceira do estaleiro francês DCNS, para a venda de submarinos à Marinha, e também tem parceria na área da Defesa com a francesa EADS Defense.

Fonte: Correio do Brasil

OBAMA ANUNCIA REDUÇÃO DE US$ 4 TRILHÕES DO DÉFICIT AMERICANO

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, propôs nesta quarta-feira um pacote de aumento de impostos e corte de gastos para reduzir o deficit orçamentário do país em US$ 4 trilhões até 2023.

Em discurso em Washington, Obama defendeu a proposta, que se baseia na redução de gastos na área da defesa e no aumento de impostos para os mais ricos.

“Temos que viver com os nossos recursos, reduzir nosso deficit e voltar a um caminho que nos permitirá pagar nossa dívida”, disse o presidente.

“E temos que fazê-lo de uma forma que proteja a recuperação (econômica), e proteja os investimentos de que precisamos para crescer, criar empregos e ganhar o futuro.”

Antes, ao serem informados do teor da proposta, líderes parlamentares do Partido Republicano, de oposição, se manifestaram contra qualquer aumento de impostos.

Previdência e saúde

Segundo analistas, o crescente deficit americano será uma questão central na campanha para as eleições presidenciais de 2012. Há previsões de que ele alcance US$ 1,5 trilhão neste ano, e tanto democratas quanto republicanos disseram que cortar gastos é uma prioridade.

Obama ressaltou que os que está propondo cortes não devem prejudicar a rede americana de proteção social, como o sistema de previdência e programas de saúde para os pobres e mais velhos.

“Não seríamos um grande país sem esses compromissos”, afirmou. “Por boa parte do último século, nossa nação encontrou um jeito de arcar com esses investimentos e prioridades com os impostos pagos por seus cidadãos.”

Republicanos fizeram uma proposta ainda mais abrangente que a de Obama, com cortes de US$ 6,2 trilhões em gastos governamentais na próxima década. Os cortes se concentrariam em programas governamentais que atendem pobres e idosos.

Pela proposta, anunciada pelo congressista Paul Ryan, os impostos para americanos ricos seriam drasticamente reduzidos.

Em resposta aos planos republicanos, Obama disse: “Essa não é a visão da América que eu conheço.”

“Não há nada sério sobre um plano que defende reduzir o deficit ao promover US$ 1 trilhão em cortes de impostos para milionários e bilionários.”

Mas líderes republicanos, que souberam dos planos de Obama na manhã de terça-feira, rejeitaram sua ideia de aumentar impostos sobre americanos ricos.

A Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados) deve votar a proposta republicana na sexta-feira.

“Não acreditamos que a falta de receitas seja o problema, então não vamos discutir aumentar impostos”, disse o líder republicano no Senado Mitch McConnell.

Orçamento

Impulsionados pelo Tea Party, movimento conservador e contrário a aumentos de impostos, os republicanos tiveram uma série de vitórias políticas recentes.

Para evitar a paralisação do governo devido a um impasse sobre o orçamento, o governo se viu obrigado a cortar US$ 38,5 bilhões em gastos previstos para o resto do atual ano fiscal.

Segundo analistas, Obama espera tomar dos republicanos a dianteira na questão orçamentária à medida que a campanha presidencial começe a esquentar.

A expectativa é de que o debate sobre o orçamento para o próximo ano fiscal, que se inicia em 1º de outubro, se intensifique já nos próximos dias.

Fonte: BBC Brasil

BRICs NÃO SE ENTENDEM QUANDO O TEMA É O COMÉRCIO GLOBAL

Ministros do Comércio das cinco nações do Brics reunidos nesta quarta-feira não deram sinais de estar prontos para fazer concessões que rompam o impasse de décadas nas conversas sobre a liberalização do comércio global.

A Rodada Doha de negociações, conduzida sob o respaldo da Organização Mundial do Comércio (OMC), fez poucos avanços após chegar à iminência de um acordo em 2008.

Entre as principais razões do fracasso na ocasião estiveram a recusa dos Estados Unidos e outros países ricos de reduzir ainda mais os subsídios agrícolas, e a rejeição das nações em desenvolvimento, lideradas pela Índia, a aumentar o acesso do Ocidente a seus mercados de bens e serviços.

Reunindo-se na véspera de uma cúpula dos Brics na ilha chinesa de Hainan, os ministros do comércio de Brasil, Rússia, Índia, China e o novo membro África do Sul soaram pessimistas com as perspectivas das conversas.

"O delicado equilíbrio de trocas alcançado em mais de 10 anos de negociações e contido no texto de esboço de julho de 2008 corre o risco de entrar em desordem", disseram os ministros em um comunicado à mídia.

Líderes do G20, que inclui nações avançadas e economias em desenvolvimento, declararam em novembro haver uma janela de oportunidade curta em 2011 para finalizar a rodada. Uma série de membros-chave da OMC, incluindo os EUA e a França, tem eleições em 2012.

Os Estados Unidos disseram no mês passado que as grandes economias emergentes precisam adquirir a coragem política de abrir seus mercados. Mas, ao endossar o projeto de acordo de 2008, os Brics deram a entender que cabe ao Ocidente o ônus de ceder.

"Os ministros continuam dispostos a concluir a rodada com base nas modalidades do rascunho", declararam no rascunho da declaração.

COOPERAÇÃO

O Ministério do Comércio da China disse que o encontro também clamou por uma melhor coordenação global das políticas econômicas para blindar a recuperação mundial e alcançar um crescimento robusto e equilibrado.

O poder econômico dos Brics está crescendo à medida que o mundo desenvolvido luta para abater suas dívidas, e os cinco países começam a operar como um bloco único no G20, fornecendo um contraponto aos Estados Unidos e outras potências tradicionais.

Os cinco Brics representaram pouco menos de 18 por cento dos 62 bilhões de dólares da economia global em 2010, embora o PIB da China tenha sido maior do que os outros quatro membros somados.

Como parte do esforço para fortalecer o comércio e o investimento entre si, os líderes devem assinar na quinta-feira um acordo para ampliar as linhas de crédito mútuas não mais em dólares, mas nas moedas locais dos Brics, de acordo com relatos da mídia indiana.

"Para o crescimento e o desenvolvimento futuros, os países Brics precisam fortalecer o comércio entre si", afirmou Lin Yueqin, pesquisador da Academia Chinesa de Ciências Sociais em Pequim.

Lin observou que o comércio entre a China e a Rússia, por exemplo, ficou abaixo dos 60 bilhões de dólares por ano, uma fração dos 200 bilhões de dólares nas trocas entre China e Coreia do Sul.

Ele disse que a cúpula, que realiza sua terceira reunião anual, tem um longo caminho a trilhar antes de poder se equiparar o G7, grupo de economias desenvolvidas.

"Os Brics são mais um símbolo de cooperação do que um grupo de ação conjunta. Mas, como todo o resto, sem um começo humilde não se pode ter um grande futuro," disse Lin.

Fonte: Reuters

PARA FERNANDO HENRIQUE CARDOSO O PSDB DEVE ABANDONAR O POVÃO

FHC desagrada a tucanos e escancara viés elitista do PSDB
O polêmico artigo “O Papel da Oposição”, assinado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e divulgado nesta terça-feira (12), constrangeu lideranças do PSDB e acirrou a crise dos partidos oposicionistas. Num momento em que tucanos como o governador Geraldo Alckmin (SP) e o senador Aécio Neves (MG) tentam se aproximar das centrais sindicais e de segmentos populares, FHC apregoa, no texto, que o PSDB deve abrir mão tanto dos movimentos sociais quanto do “povão”.
Por André Cintra, no Vermelho
“As oposições se baseiam em partidos não propriamente mobilizadores de massas. A definição de qual é o outro público a ser alcançado pelas oposições e como fazer para chegar até ele e ampliar a audiência crítica é fundamental”, escreve o ex-presidente. Segundo ele, o PSDB tem de dialogar com “toda uma gama de classes médias” — único público que, a seu ver, não sofre a influência do “lulopetismo”.
“Enquanto o PSDB e seus aliados persistirem em disputar com o PT influência sobre os ‘movimentos sociais’ ou o ‘povão’, isto é, sobre as massas carentes e pouco informadas, falarão sozinhos”, dispara FHC, numa crítica indireta aos atuais governadores e parlamentares tucanos. Para o ex-presidente, o governo Lula “aparelhou” e “cooptou” as centrais, “os movimentos organizados da sociedade civil”, as “massas carentes” e até a grande mídia (“com as verbas publicitárias”).
A reação ao artigo foi imediata. Acostumados a criticar as opiniões de FHC apenas nos bastidores, vários tucanos expressaram, publicamente, divergências frontais com o texto. Também o líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA), rebateu o ex-presidente e declarou que a oposição deve “sair do Congresso e ganhar as ruas”, para “ampliar sua capacidade de se comunicar com todos os segmentos sociais”.
Para o líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), a “sensibilidade social” de uma legenda partidária “deve estar voltada justamente às camadas mais pobres da população. Essas camadas devem ser a prioridade do partido”. O desafio, segundo Dias, é “encontrar meios de falar às camadas mais pobres” sem passar pelos movimentos sociais.
Aécio Neves avalia que o PSDB precisa “se inserir no Nordeste” e se aproximar nacionalmente dos movimentos sociais. De acordo com senador, os tucanos já conseguiram tal feito em Minas Gerais — opinião mais do que discutível, já que, nas eleições presidenciais de 2010, o eleitorado mineiro preferiu Dilma Rousseff a José Serra (58,45% a 41,55%).
O artigo de FHC, de quebra, alimentou a imagem elitista do tucanato. Na opinião do jornalista José Roberto de Toledo, o texto “ficará lembrado como um reforço à imagem de demofobia do PSDB”, especialmente de Fernando Henrique. “A maioria das pessoas, as tais ‘massas carentes e pouco informadas’, vai entender: o PSDB deve esquecer o ‘povão’.”
Para Jairo Nicolau, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ, no Rio de Janeiro, “é uma fantasia imaginar uma volta ao poder sem uma base popular”. Fábio Wanderley Reis, da UFRJ, agrega: “É uma abdicação problemática. Um partido existir e governar, na democracia, tem a ver com maiorias. Abdicar do povão é condenar-se a ser minoria sempre”.
O sociólogo Humberto Dantas é mais taxativo. Ao comentar a expressão “pouco informadas” — usada por FHC —, ele aconselha o ex-presidente a “se perguntar o que o PSDB tem feito para educar politicamente esses eleitores”. E emenda: “Ao invés de abandonar o povão, candidatando-se a continuar oposição, o partido deveria entender o que esse povão quer e por que ele tem apoiado as políticas do governo.”
Fonte: Viomundo