segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

PDT JÁ ADMITE PERDER O MINISTÉRIO DO TRABALHO


O presidente interino do PDT, André Figueiredo (PDT-CE), admitiu nesta segunda-feira que o partido está aberto à negociação de outro espaço no primeiro escalão do governo federal, e não necessariamente a manutenção do Ministério do Trabalho. Os pedetistas reuniram sua Executiva Nacional um dia após o ministro Carlos Lupi ter formalizado seu pedido de demissão à presidente Dilma Rousseff.

"Tudo é discutível o PDT ganhar outra pasta, mas a gente não quer fazer qualquer especulação porque o ministro saiu ontem", disse o presidente interino da legenda.

Nos bastidores, a situação do ministro Carlos Lupi ficou insustentável após a revelação de que ele teria tido cargos fantasma na Câmara dos Deputados.

A nova denúncia contra o ministro dá conta de que ele foi funcionário fantasma da Câmara dos Deputados por quase seis anos. Conforme o jornal Folha de S. Paulo , Lupi foi lotado na liderança do PDT de dezembro de 2000 a junho de 2006, mas no período exercia atividades partidárias como vice-presidente da sigla. Funcionários do partido em Brasília confirmaram que Lupi não aparecia no gabinete da Câmara e se dedicava exclusivamente a tarefas partidárias. Parlamentares afirmaram que nunca tinham ouvido falar que o ministro havia sido contratado pela Câmara nesse período. As normas dizem que ocupantes desses cargos devem exercer funções técnicas e precisam trabalhar nos gabinetes.

Embora o PDT admita a hipótese de ganhar outro ministério diferente da pasta do Trabalho, o partido pretende manter a disposição de continuar na base governista.

"Depende da Dilma para ver se a gente fica. Vou defender que o partido fique no governo. Ela é quem tem que medir as consequências de deixar o PDT sem ministério", disse o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical.

A queda de Lupi

O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi (PDT), pediu demissão no dia 4 de dezembro, cerca de um mês após denúncias de que seus assessores cobrariam propina de organizações não governamentais (ONGs) conveniadas com a pasta e de que teria ocupado cargo-fantasma na Câmara dos Deputados por seis anos. No governo federal desde 2007, Lupi culpou a "perseguição política e pessoal da mídia" por sua saída.

A crise começou no início de novembro, quando a revista Veja publicou que funcionários do ministério estavam envolvidos em um suposto esquema de cobrança de propina de ONGs conveniadas com a pasta comandada pelo ministro. Segundo a publicação, entidades tinham o repasse bloqueado após problemas com a fiscalização. Assessores de Lupi, então, procuravam os dirigentes para resolver o problema cobrando propinas de 5% a 15%. Na ocasião, Lupi disse que irregularidades de funcionários, se existiam, não podiam ser atribuídas a ele, pedindo investigação do caso.

Mas o escândalo se ampliou quando o ministro teve que ir ao Congresso explicar uma viagem no avião do empresário dono da ONG Pró-Cerrado, que tem convênios de R$ 14 milhões com o Trabalho, para cumprir agenda no Maranhão. Inicialmente, o ministro negou conhecer Adair Meira, mas voltou atrás depois de ter fotos divulgadas ao lado dele. Lupi argumentou ter dito apenas que não mantinha "relações pessoais" com Meira.

Na última semana antes de deixar o cargo, o jornal Folha de S. Paulo, denunciou que o ministro foi lotado na liderança do PDT por seis anos, mas no período exerceu atividades partidárias como vice-presidente da sigla. As normas da administração pública dizem que ocupantes desses cargos devem exercer funções técnicas e precisam trabalhar nos gabinetes. Apesar do apoio do partido e da vontade da presidente Dilma Rousseff em não perder mais um ministro para denúncias de corrupção, a permanência de Lupi no comando da pasta se tornou insustentável após a Comissão de Ética Pública aplicar, por unanimidade, uma advertência e recomendar sua demissão.

Fonte: Terra

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